Modernidade fútil

12 08 2007

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Quézia Linhares

Estou indignada, revoltada, triste. Percebo que quanto mais o mundo avança mais cai a qualidade de vida, a cultura, o conhecimento das pessoas. Vivemos na época do fast-food, o automático, o instantâneo. Apresso-me a dizer que não sou contra a modernidade, porém esse avanço tem afetado as relações humanas. Ninguém tem mais tempo para cumprimentar uns aos outros, para conversar, ficar com os filhos, meditar, descansar… Descansar?! Vivemos na luta contra o tempo.

Fico triste por ver valores éticos serem esquecidos e desvalorizados. Uma família não é mais composta de pai, mãe e filhos. Os livros didáticos trazem outras opções de família. É comum namorar dois ou três, o sexo virou banalidade. Sumiu o auto-respeito e pelos outros, acabou a moral, o legal. Entristeço em ver a infância desaparecendo, as crianças se comportam e levam vida de adultos, o namoro virou brincadeira. Sem falar nos casamentos que duram muito pouco e terminam por motivos injustificáveis. Vivemos em uma verdadeira Sodoma e Gomorra.

Fico indignada com a cultura que nossa sociedade tem vivido, um conhecimento pobre. Revolto-me com o grande espaço que é dado na mídia para músicas vazias, artistas, que dizem ser formadores de opiniões, ocos. As letras das músicas me dão raiva. Estranho, mas tenho sentido saudade do que não vivi. Sinto falta da verdadeira música popular brasileira, do Tropicalismo, de certa forma até da ditadura. Não estou exagerando.

Os refrões que estão na boca de nossos jovens são: “Tô nem aí; só um tapinha não dói; só as cachorras; vem meu cachorrinho a sua dona tá chamando, vai rolar o adultério…” Há uma música que tem tocado nas rádios, nas paradas de sucesso, que tem me irritado muito. O título justifica a letra: “Sem noção”. Fiquei curiosa para ler a letra, pois ouvindo é impossível entender uma palavra. Surpreendi, a música tem letra, o mais interessante é o refrão: “choramingando”.

Perdoem-me os avançados, sei que estou no lado da minoria. Mas essa minoria que precisa fazer a diferença e não achar essa modernidade fútil normal.